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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Metralhando o próprio pé

Se tem uma coisa que me preocupa em relação à democracia é um país que não tem oposição. Durante o governo de Fernando Henrique, os três principais partidos da base aliada – PSDB, PMDB e PFL – cartelizaram o Congresso. Isso significa dizer que todas as decisões eram negociadas fora do ambiente público e levadas a votação com tudo decidido, pois a maioria absoluta estava a seu lado. Restava ao PT o direito de espernear inutilmente.

A situação mudou quando Lula foi eleito presidente: sem maioria absoluta, o Governo precisa negociar suas decisões com sua base aliada, com seu próprio partido, e com alguns membros da oposição. Seria muito perigoso o PT dominar o Congresso de tal maneira que não houvesse necessidade de um debate.

Mas o que querem Serra e o PSDB através de seu presidente, Sérgio Guerra? Ao que parece, desejam garantir a vitória de Dilma Roussef no primeiro turno. E, como historicamente a votação para o Legislativo costuma acompanhar a do Executivo, garantir também uma bancada recorde para o Partido dos Trabalhadores.

Guerra afirmou que, se eleito, Serra dará um fim ao Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC, por considerar o programa eleitoreiro. Quanto à última afirmação, não discordo, embora ache que mesmo uma obra eleitoreira possa apresentar resultados positivos e agradar a população. Além disso, a situação pode alegar que, além de acabar com o PAC, Serra também acabará com o bolsa-família, um programa que goza de grande popularidade. Sobre chamar Dilma Roussef de mentirosa e dissimulada, o presidente tucano excedeu em muito o seu direito.

Oportunamente, Lula respondeu numa reunião a portas fechadas: "O Sérgio Guerra é um babaca", o que foi prontamente comunicado à imprensa com o claro objetivo de se dar uma resposta ao tucano via discurso indireto.

Serra se queima mais a cada dia. O partido se desgastou com o episódio do mensalão tucano e do mensalão do DEM, seu aliado, e já não pode mais evocar a ética em seu discurso contra o PT. O que sobra para ser atacado, então? Como poderão convencer os eleitores de que existe uma necessidade de mudança?

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Só uma dor de cabeça

Dentro de alguns dias, Daniel Dantas não será mais considerado criminoso. O juiz Arnaldo Esteves Lima, do STJ, suspendeu todas as decisões tomadas a partir da operação Satiagraha, inclusive sua condenação. Esse é o primeiro passo para a anulação do processo e a liberação dos US$450 milhões que o banqueiro tem bloqueados nos Estados Unidos.

Dantas foi condenado a dez anos de prisão mais multa de R$12 milhões por corrupção ativa e está envolvido em processos de evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

Apesar de toda a polêmica gerada pela operação, a atitude da Polícia Federal foi louvável, como vem sendo em suas missões que deixaram de lado criminosos comuns e passaram a atacar as classes mais corruptas e impunes da sociedade. Há algum tempo, quadrilhas de classe média e alta vêm sendo desbaratadas e seus membros presos sem a habitual distinção entre pobres e ricos feita pelas polícias estaduais.

Mas de que isso adianta se, no fim, uma pessoa exerce um poder suficiente para jogar tudo pelo ralo? No final terá sido só uma grande dor de cabeça.