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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Tudo que a Coca-cola toca vira...

Há tempos ouço falar, de amigos que trabalham com isso, dos problemas que os produtos da a Coca-Cola enfrentam com uma logística ruim de distribuição, especialmente para o interior. Como se não bastasse, vemos em diversos lugares indícios de que a empresa proíbe a venda de produtos de outras marcas em certos bares que só vendem guaraná Kuat (antigamente, a Kaiser, que era de uma engarrafadora da Coca-Cola, também detinha esse privilégio). Até mesmo uma marca poderosa como o McDonald's há alguns anos deixou de vender o guaraná Antarctica para oferecer o similar da concorrência.

Em 2006, a multinacional comprou a fábrica dos sucos Del Valle e, no ano seguinte, assumiu o controle da fábrica do Matte Leão. Hoje, a Coca-Cola domina o mercado nacional de bebidas não alcoólicas com ampla vantagem no segmento de refrigerantes. O monopólio é de tal ordem que já quase não há opções para comprar sucos de frutas em caixa, mates e chás gelados.

Isso seria transparente ao consumidor, não fosse a mania deles de "cocacolizarem" seus produtos, transformando-os numa água com açúcar flavorizada. Não há mais possibilidade de se tomar um produto de qualidade e razoavelmente saudável: ou vem com quase 50% de açúcar, ou vem entupido de aspartame e ciclamato.

Como o Cade aprovou essas aquisições? E o Ministério da Saúde, não tem nada a dizer?

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Boicote ao carro zero

Hoje recebi um email bem interessante sugerindo que façamos um boicote à compra de carros zero quilômetro. O consumidor brasileiro compra mais de três milhões de carros por ano, representando uma receita de cerca de 115 bilhões de reais. Ao mesmo tempo, o Brasil tem os carros mais caros do mundo por categoria, ou seja, compra-se um Gol 1000 no Brasil pelo preço de um Honda Civic nos Estados Unidos. E por quê?

É simples: porque o consumidor brasileiro não é nada exigente em termos de automóveis e topa pagar fortunas por porcarias. Coisa de novo-rico. Quem se lembra do então ministro Ciro Gomes criticando aqueles que compravam carros com ágio em 1994? E, ao contrário do senso comum, o que torna os carros caros no Brasil não é a carga tributária, mas sim o lucro das montadoras.

E nós podemos passar um ano sem comprar carros novos? É claro que sim. Dar um prejuízo de 115 bilhões a um dos setores que mais desrespeita o consumidor (carros 1000, sem airbags, sem freio ABS, sem direção hidráulica...) não seria só uma resposta, seria chegar a um novo patamar em termos de relacionamento. Precisa trocar de carro? Procure um com um, dois anos de uso; isso não beneficia a indústria. Ou espere um ano.

Se isso fosse possível, nos primeiros meses de 2012 os carros sofreriam uma queda vertiginosa de preços. Mesmo que a adesão fosse baixa, a indústria sentiria a diferença. Mas esse é outro problema do brasileiro: a falta de consciência coletiva e a sensação de que aqueles que têm ideias são apenas Quixotes atacando moinhos de vento.

terça-feira, 29 de março de 2011

Por que devolvi meu celular

Ávido por tecnologia, resolvi trocar meu celular Motorola Milestone por um Milestone 2. O novo celular teria um sistema operacional mais avançado, mais rápido e com melhor aproveitamento do espaço por utilizar o cartão de memória para guardar os aplicativos.

Fui à loja e, todo empolgado, gastei meus bônus para conseguir um mísero desconto de 300 reais. O benefício compensaria o custo, além do fato de eu poder vender o celular antigo, que está em perfeito estado. Configurá-lo foi fácil, pois o Google, fabricante do sistema operacional, costuma ter uma boa visão das necessidades do usuário. Mas quando a Motorola entrou na história, começaram os problemas.

Primeiramente, tenho um programa de GPS da Motorola chamado Motonav, que funcionava perfeitamente no Milestone antigo. Tentei, sem sucesso, passá-lo para o novo, mas o SAC da Motorola me avisou que o programa era incompatível. Mentira, pois consegui fazer uma gambiarra para instalar o programa, que eu já havia comprado para o celular antigo.

Problema resolvido, hora de organizar os contatos, que são atualizados diretamente da conta do Google. Mas a Motorola inventou um tal de MotoBlur, que vincula todos os contatos às redes sociais das quais eles participam. Não haveria problema se eu pudesse editá-los, mas ele me obriga a usar, por exemplo, o nome do usuário no orkut. Então aquelas pessoas que gostam de colocar estrelinhas e desenhinhos ao lado do nome ficavam ridículas, como, por exemplo, **--__ Zé __--**.

Para piorar, uma função que havia no antigo sumiu no novo: a opção de esconder os contatos sem números de telefone. Como a lista de contatos é a mesma do meu Gmail, muitos dos contatos têm apenas nome e endereço de email, sendo inúteis para aparecerem quando eu necessito fazer uma ligação. Ao ser atendido, novamente, pelo SAC da Motorola, recebi uma resposta dizendo que, por causa do MotoBlur, eles haviam suprimido a função.


Resumindo: hoje passei de volta na loja e devolvi o aparelho que comprei ontem. Foi rápido e indolor. E, com a experiência de 24 horas que tive com o gadget, dou um conselho: não troque seu Milestone pela versão mais avançada, o Milestone 2. Aguarde até que a Motorola mande a atualização do sistema, pois você tem um dos melhores celulares do mercado em custo-benefício.

terça-feira, 15 de março de 2011

O consumidor e as redes sociais

Recentemente estive na Campus Party Brasil e segui constatando quanto a internet mudou a vida das pessoas. No que tange ao direito do consumidor, dois casos bem recentes dão o tom do poder que o cidadão comum ganhou. Agora, existe a real possibilidade de se lutar de igual para igual contra grandes empresas, simplesmente porque existe o canal e há pessoas dispostas a disseminar os casos via twitter ou mesmo por email.

No primeiro caso, Oswaldo Borelli levou sua geladeira à porta de casa e fez um vídeo explicando que ficou 90 dias sem geladeira porque a Brastemp não resolvia o defeito de fabricação. A empresa se desculpou publicamente e entregou um produto novo para o cliente. Mas agora pensarei duas vezes antes de comprar algo da marca.

No mais recente, a consumidora Daniely Argenton denunciou o descaso da Renault com seu Mégane comprado zero com defeitos de fabricação. Desde 2007 ela vem tentando consertar seu carro junto à montadora, que sempre o devolve com o mesmo defeito. Daniely entrou na justiça para ser ressarcida e criou um website explicando o caso, mas a Renault tirou o site do ar através da Justiça de Santa Catarina.

Um tiro no pé: a imprensa costuma tomar o lado do consumidor e seu caso ganhou repercussão devido à decisão da Justiça. A Brastemp foi mais inteligente e pediu desculpas.

O importante é que cada vez mais aprendemos a nos defender como consumidores, temos cada vez mais armas e precisamos saber usá-las para que a política das empresas mude e passe a nos respeitar de verdade, não somente em suas belas propagandas na televisão.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Compra coletiva

A febre da compra coletiva tomou conta da internet de tal forma que os sites com essa finalidade se multiplicaram em pouco tempo. Eu mesmo já devo ter feito algumas dezenas de compras em uns cinco ou seis sites diferentes.

Mas as promoções, às vezes não são tão boas quanto anunciadas. É aconselhável verificar se o preço original estampado na página é realmente o preço que se cobra no restaurante ou loja e se o produto é o mesmo que se vende para os outros consumidores. É muito comum, por exemplo, o prato ou a sobremesa servidos serem menores do que os originais.

Algumas promoções que envolvem viagem não deixam muito claro o preço final a ser pago, visto que o desconto costuma ser somente na entrada. É possível que o consumidor se confunda e acabe pagando muito mais do que planejava. E alguns sites criam muitos problemas para devolver o dinheiro caso o consumidor desista da conta. Neste caso, recomendo o uso do portal Reclame Aqui, ao qual normalmente as empresas respondem.

Outra coisa que me surpreendeu foi que hoje eu recebi um anúncio de uma tabacaria, vendendo charutos e café. Que eu saiba, a propaganda de tabaco é limitada e não está permitida em sites da internet, muito menos a sua venda. Acho até que não fizeram de má-fé: muita gente se esquece que charuto e cigarros estão submetidos à mesma legislação. De qualquer maneira, enviei um email para eles sugerindo que tirassem a promoção do ar para não correrem o risco de sofrer ações legais.

De qualquer forma, a inciciativa é ótima e pode gerar uma bela economia. Mas, como qualquer outra ferramenta, é necessário saber usar.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Letras miúdas

Uma coisa que me irrita nas ditas "promoções" são as cláusulas de exclusão. São aquelas letrinhas miúdas que dizem "Promoção válida entre as 23h e 23h59 nos dias primos de lua cheia" que você só vai descobrir quando chegar no balcão.

Aconteceu comigo duas vezes no Giraffas com a promoção "Surpreenda Mastercard": da primeira vez, não vi que a promoção só era válida apenas após as 14h e fui com um amigo comprar um lanche na hora do almoço. Outro dia, liguei para o serviço de entregas deles e me informaram que somente aceitavam o voucher no balcão.

Fiquei me sentindo, com o perdão da palavra, um otário. Otário por achar que a rede fazia a promoção de boa-fé, e não que era um tipo de propaganda barata para ver a marca aparecer no site da Mastercard.

Mandei um email para o SAC deles e obtive a seguinte resposta:

"Agradecemos o seu contato com o Giraffas.
Pedimos desculpas pelos trastornos, porém consta a informação no site que a promoção não é aceita para o Giraffone.
Acreditamos que os clientes do Giraffas são o maior bem que a empresa possui e buscamos constantemente formas para melhor atendê-los."

No site realmente consta que a promoção não é aceita pelo Giraffone. Consta.

Atualização em 28/5: Recebi hoje o email de resposta do Giraffas:
Flávio Armony
Agradecemos o seu contato com o Giraffas.
Pedimos desculpas pelo ocorrido. Informamos que iremos estudar as suas sugestões para nossas próximas campanhas de marketing.
Acreditamos que os clientes do Giraffas são o maior bem que a empresa possui e buscamos constantemente formas para melhor atendê-los.
Atenciosamente,
SAG-Serviço de Atendimento Giraffas

domingo, 30 de agosto de 2009

Made in China II

Sei que é um assunto batido, mas a cada vez que vejo algo assim, sinto-me no dever de alertar quem eu puder. Ontem, nas Lojas Americanas, deparei-me com um pacote de escova dental chamado Dental Clear numa embalagem bem vagabunda no esquema "leve 3, pague 2". Evidentemente, o produto era fabricado na China.

Não bastasse ser uma escova genérica, parecia ser de péssima qualidade, além de não ser recomendada pela Associação Brasileira de Odontologia. Isso representa um perigo, pois a composição e o grau de rigidez das cerdas pode prejudicar a gengiva e o esmalte dos dentes.

Isso já seria motivo suficiente para não se comprar a escova. Mas, para piorar, algumas embalagens vinham com o produto encardido! Em que condições essas escovas são produzidas e embaladas? Qual é a origem do material usado? Até porque, descobriu-se que muitos elásticos de cabelo fabricados naquele país são produzidos a partir de camisinhas usadas num esforço para aproveitamento total e acabam custando muito barato. Será que são estes que chegam nos camelôs brasileiros?

Bem, resolvi comparar com uma escova muito parecida, a Colgate Extra Clean, que tem o mesmo limpador de línguas e um formato praticamente idêntico. Pela foto, dá para notar que é uma cópia cuspida (com o perdão do trocadilho), a não ser pela disposição das cerdas, que é ligeiramente diferente.

Aliviado por ter um produto de qualidade em casa em vez de um genérico suspeito, qual foi a minha surpresa quando vi a etiqueta: o produto também é produzido na China. E agora?

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Melhor embalagem, produto duvidoso

Há uma grande diferença entre produtos que compramos pré-prontos e os que fazemos em casa. No caso dos filés de frango, por exemplo, ou dos nuggets, a carne pronta leva, normalmente, diversos ingredientes que não são recomendáveis à saúde.

Por isso, sempre olho antes de comprar esses congelados se contêm, principalmente, pele de frango, que é usada para baratear seu custo de produção e possui uma incrível quantidade de colesterol. Há algum tempo, achei um congelado da Perdigão que não continha pele, ou seja, o nível de colesterol e gordura era mais aceitável. Foi grande a minha surpresa ao descobrir que eles vêm fazendo, por assim dizer, uma atualização de seus produtos.

Quando vi a nova embalagem, muito mais chique e bonita, desconfiei e resolvi conferir os ingredientes. O que achei? Exatamente! E nenhum aviso sobre a mudança. Das duas uma: ou sempre houve pele e não informavam ou deveriam informar sobre a mudança na composição. Nenhuma das duas é aceitável.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Cartel

Outro dia, fazendo compras no Supermercado Mundial de Copacabana, vi-me na cena de um crime. Um tipo de crime cometido com freqüência, mas raramente percebido como tal. Acostumado a pesquisar preços de produtos para comprar o que oferece a melhor relação custo-benefício, procurei os preços do óleo de soja. Eram os seguintes:
  • Perdigão: R$ 2,97
  • Liza: R$ 2,98
  • Soya: R$ 2,98
  • Sadia: R$ 2,98

Não é uma grande coincidência que todos tenham o mesmo preço. Isso caracteriza prática de cartel, um crime contra a relação do consumo. Liguei para o Procon-RJ para fazer a denúncia pelo telefone 151. A atendente parecia não entender direito do que eu estava falando, mas me passou um número que, por sua vez, não estava funcionando. Também não encontrei um canal de denúncia pela internet. A quem devemos recorrer nessa hora, afinal?