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domingo, 30 de agosto de 2009

Made in China II

Sei que é um assunto batido, mas a cada vez que vejo algo assim, sinto-me no dever de alertar quem eu puder. Ontem, nas Lojas Americanas, deparei-me com um pacote de escova dental chamado Dental Clear numa embalagem bem vagabunda no esquema "leve 3, pague 2". Evidentemente, o produto era fabricado na China.

Não bastasse ser uma escova genérica, parecia ser de péssima qualidade, além de não ser recomendada pela Associação Brasileira de Odontologia. Isso representa um perigo, pois a composição e o grau de rigidez das cerdas pode prejudicar a gengiva e o esmalte dos dentes.

Isso já seria motivo suficiente para não se comprar a escova. Mas, para piorar, algumas embalagens vinham com o produto encardido! Em que condições essas escovas são produzidas e embaladas? Qual é a origem do material usado? Até porque, descobriu-se que muitos elásticos de cabelo fabricados naquele país são produzidos a partir de camisinhas usadas num esforço para aproveitamento total e acabam custando muito barato. Será que são estes que chegam nos camelôs brasileiros?

Bem, resolvi comparar com uma escova muito parecida, a Colgate Extra Clean, que tem o mesmo limpador de línguas e um formato praticamente idêntico. Pela foto, dá para notar que é uma cópia cuspida (com o perdão do trocadilho), a não ser pela disposição das cerdas, que é ligeiramente diferente.

Aliviado por ter um produto de qualidade em casa em vez de um genérico suspeito, qual foi a minha surpresa quando vi a etiqueta: o produto também é produzido na China. E agora?

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Roger & us

Há muitos anos, assisti a um documentário do escandaloso Michael Moore chamado "Roger & Me" que tratava da miséria em que ficou a sua cidade natal, Flint, em Michigan, EUA, após a remoção de uma fábrica da General Motors para o México nos anos 80. O "Roger" do nome é o então CEO da empresa Roger Smith, que morreu no ano passado, perseguido por Moore para dar uma entrevista a respeito do deslocamento da fábrica.

Hoje, a GM está à beira da falência. Os Estados Unidos estudam um pacote de ajuda à indústria automotiva, mas a demora em aprová-lo devido à exigência de um plano de viabilidade por parte dos congressistas para liberar o dinheiro pode ter conseqüências irreversíveis.

Não é impossível que a GM ou a Ford fechem as portas em definitivo, ou sejam vendidas para uma montadora indiana, chinesa ou mesmo européia. Suas dívidas estão muito acima de sua capacidade de pagamento e as empresas estão sem capital para manter as indústrias funcionando.

O que será que Roger Smith diria nesse momento?

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Made in China

O Brasil possui uma das maiores indústrias têxteis do mundo. São mais de 30 mil empresas compondo a cadeia, faturamento superior a R$ 30 bilhões anuais, exportações que superam R$ 2 bilhões, mais de 1,5 milhão de empregos e quase 20% do PIB do país passa por essa cadeia produtiva.

Ainda assim, temos lojas de moda que importam suas coleções de outros países, principalmente da China. Dessa forma, pagam muito pouco por seus produtos e aumentam as margens de lucro. Já seria razão suficiente para comprar produtos nacionais o fato do dinheiro permanecer no país, mas existe muito mais.

Na China, os direitos trabalhistas são precários e, mesmo assim, raramente cumpridos. A qualidade de seus produtos, seja do tecido, seja de sua tintura (lembre-se do caso Mattel) tem pouco controle e, até onde sabemos, crianças são usadas no trabalho agrícola.

Será que não vale a pena pagarmos um pouco mais por produtos nacionais, que geram emprego e fazem circular dinheiro no Brasil? Até quando vamos ficar com essa hipocrisia de criticar o que os outros fazem e contribuir para que suas práticas se perpetuem?

É fácil descobrir quando um produto é nacional ou chinês: basta olhar a etiqueta. Já fui surpreendido por lojas conceituadas que não podiam consertar uma peça defeituosa porque as roupas "vêm prontas da China". Olhe a etiqueta antes de comprar.