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segunda-feira, 17 de junho de 2013

É por 26 bilhões de reais

Quando Arnaldo Jabor desandou a falar as asneiras que disse sobre os protestos, não me decepcionou. Porta-voz dos que pagam seu salário, não tardará a mudar de opinião, agora que a imprensa virou a casaca.

A população não está protestando por 20 centavos de aumento nas passagens de ônibus. Está protestando pelos 26 bilhões que deixaram de ser gastos em transporte, saúde e educação pública para construir e reconstruir estádios que, em qualquer lugar do mundo, teriam um custo bem menor. A corrupção a olhos vistos incomoda e o aumento das passagens foi um pretexto para as pessoas se reunirem por algo bem maior.

E os protestos foram pacíficos, fora um ou outro baderneiro. Mas a polícia nos proporcionou cenas que não víamos há 30 anos, atirando contra seu próprio povo, mirando balas de borracha no rosto das pessoas, disparando gás e spray de pimenta a esmo, prendendo pessoas sem que nenhum crime tivesse sido cometido. 

O protesto é por todos. A classe média, que está nas ruas, não precisa frequentar hospitais públicos ou escolas da prefeitura. Tem dinheiro para andar de ônibus, táxi ou carro. Mas protesta pelos outros, que estão tão acostumados a serem tratados como gado que não entendem que é seu direito estudar numa escola decente, ser bem atendido num hospital e ter o dinheiro de seus impostos bem empregado.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Metrô: o legado da privatização

A história era sempre a mesma: o serviço público não funciona, privatiza-se. Se funciona, baixa-se a qualidade e se privatiza assim que a população começa a demonstrar sua insatisfação. Como contrapartida, criaram-se agências reguladoras para deveriam fiscalizar o serviço, mas, em geral, elas cumprem mal o seu papel.

Instituições privadas visam somente ao lucro. Boa imagem, bons serviços prestados e satisfação dos funcionários são, quando existentes, um efeito secundário de uma administração bem executada. Quando a lucratividade é baixa, busca-se a otimização dos processos, que pode ser resumida em duas opções: aumento de preços ou redução de custos. A primeira opção prejudica o consumidor de maneira óbvia. A segunda frequentemente acarreta em perda de qualidade e insatisfação dos funcionários e clientes.

Com o metrô do Rio de Janeiro não foi diferente. Essa semana, a concessionária foi multada pela primeira vez em 13 anos de péssimos serviços e grandes distorções. Por exemplo, o trajeto planejado pela linha 2, que iria até a Carioca pela Estácio e teria conexão com a linha 3 até Niterói, foi substituído por uma aberração em que os trens da linha 2 trafegam pelos trilhos da linha 1 levando os passageiros até Botafogo. A linha 4 deveria levar os passageiros de Botafogo até a Barra da Tijuca passando pelo Humaitá, Jardim Botânico e Gávea, agora será uma extensão da linha 1 a partir de Ipanema, pois o projeto original elevaria a passagem a R$6,20, segundo o governador Sérgio Cabral Filho. O morador da Barra, em vez de seguir de forma mais rápida até o Centro (Gávea-Jardim Botânico-Humaitá-Botafogo – 33 minutos até a Carioca), terá de fazer todo o percurso por toda a extensão da orla da Zona Sul (Gávea-Leblon-2 x Ipanema-3 x Copacabana-Botafogo – 50 minutos até a Carioca) e concentrando o fluxo de passageiros num único trajeto. Ou seja, redesenharam os trajetos para atender às expectativas de lucro da concessionária.

Serviços essenciais como água, esgoto, luz, transporte, saúde e segurança não devem ter como objetivo o lucro, mas o bom atendimento à população. Deixá-los na mão da iniciativa privada é uma grave inversão de valores que, como sempre, acaba por prejudicar o cidadão comum.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

À mulher de Cabral...

Esta semana foi revelado pela imprensa que o escritório de advocacia de Adriana Ancelmo Cabral, esposa do governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral Filho, cresceu 1.836% desde o início de seu mandato, em 2007. Não bastasse isso, o escritório tem entre seus clientes a concessionária Metrô Rio, que enfrenta graves problemas de funcionamento e não parece estar se importando com isso. Nesse caso, há um claro conflito de interesses que deveria ter levado a advogada a recusar o cliente.

Não posso aqui afirmar que há corrupção ou mesmo trapaça neste caso. Mesmo depois que o governador assinou um decreto que beneficiava diretamente um cliente de sua esposa – isso também pode ser coincidência.

Mas, assim como a mulher de César, a de Cabral deveria demonstrar mais honestidade.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Carros a Diesel: na contramão da História

Esta semana, recebi um boletim do Senador Gerson Camata informando sobre o Projeto de Lei Substitutivo 656/07 que propõe a liberação da fabricação de carros de passeio com capacidade de carga até mil quilogramas movidos a Diesel. O senador alega que é uma forma de dar acesso a combustíveis mais baratos para a população, que hoje conta com carros a álcool, gasolina e GNV.

Entretanto, existem bons motivos pelos quais isso nunca foi permitido no Brasil. Primeiramente, o nível de poluição do Diesel é alto devido ao teor de enxofre que está contido no combustível. Mesmo com a diminuição dessa concentração para 50 ppm ou 10 ppm nos próximos anos, é um combustível barato que acabaria substituindo o uso do álcool, que é pouco poluente, pois todo o gás carbônico que joga no ar é capturado pela cana-de-açúcar em estágio de crescimento.

Em segundo lugar, ainda existe subsídio do Diesel no Brasil, pois ele é utilizado para fins comerciais (ônibus, caminhões de carga). Caso o combustível possa empurrar carros de passeio, sofreremos uma dessas consequências: ou o subsídio persiste e os novos motoristas abandonarão os carros flex, a álcool e a GNV e o nível de poluição aumentaria consideravelmente, principalmente nos centros urbanos; ou o subsídio acaba e todos os preços de transporte sobem, gerando uma inflação inicial grande em praticamente todo tipo de produto no Brasil.

Existem outras soluções para diminuir o preço dos combustíveis. Uma delas é a diminuição dos impostos, que hoje elevam o preço da gasolina em quase 80%. Mas aí nos depararíamos com outra questão: realmente precisamos de mais carros na rua? Ou é melhor investir em transporte público de qualidade?

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Para nossa pressa e sua insegurança

Ontem, uma idosa caiu dos degraus de um ônibus da linha 435 em Copacabana quando tentava embarcar porque o motorista arrancou o veículo sem olhar. É engraçado, porque sobre ambas as portas do lado interno está escrito: "Para sua segurança, este veículo somente se movimenta com as portas fechadas".

Parece uma piada de mau gosto, mas não é: os ônibus são alterados na garagem para andar com as portas abertas, dando mais agilidade na saída do ponto. Mais uma vez, a pressão que existe sobre os motoristas, constantemente mal-humorados, faz com que descontem suas frustrações no usuários, muitas vezes derrubando passageiros (às vezes de propósito) ou simplesmente passando direto do ponto, utilizando o pequeno poder que têm sobre nós.

Vai uma dica: em caso de irregularidade ou irresponsabilidade do motorista, anote o horário, local e o número do ônibus e da linha e sempre denuncie-o, tanto para a empresa quanto para a SMTU. Na maioria das vezes, a empresa pune, deixando-o fora do trabalho um dia ou mais e, em caso de reincidência, demitindo-o.

Porque nós não somos saco de pancada de motorista que precisa descontar suas frustrações.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Motorista-trocador e a sorte no trânsito

É cada vez mais comum nos ônibus do Rio de Janeiro o motorista acumular a função de trocador. Essa prática é total em microônibus e começa a se expandir para os ônibus comuns. Que eu tenha percebido, principalmente nos veículos da empresa Braso-Lisboa, que opera as linhas 472, 473 e 474, existe um mini-curral na entrada em que os passageiros precisam esperar de pé que todos paguem, recebam o troco e passem a roleta, liberada pelo próprio motorista.

Com a pressão de horário que os motoristas recebem, somada a todo o barulho que o motor frontal dos ônibus gera, é pedir demais que eles se concentrem em mais essa tarefa sem negligenciar sua direção (para entender um pouco melhor sobre essa questão, sugiro o livro "Jornadas Urbanas" de Janice Caiafa).

Assim, acidentes são comuns, como o que matou três ciclistas na Zona Oeste do Rio no ano passado. Eu mesmo quase fui uma vítima quando voltava do Rio Comprido para a Zona Sul. Distraído com o meu troco, o motorista demorou a ver que o ônibus se deslocava em direção a um poste e deu uma bruta guinada para a pista, evitando, por pouco, a colisão. Tive sorte dessa vez, mas será que é com a sorte que devemos contar? As empresas de transporte deveriam ter mais responsabilidade e não fazer essa economia burra, que reduz gastos com salários, mas pode aumentá-los com indenizações e multas.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Mudando para pior

Há alguns meses o metrô do Rio de Janeiro mudou seu sistema de cobrança e bilhetagem. Anunciado como o mais moderno do mundo, demorou muito além do previsto para começar a operar e até hoje está num sistema híbrido com bilhetes antigos e novos.

Essa transição gerou muito transtorno. Por exemplo: antigamente, os bilhetes para o ônibus-metrô eram válidos em qualquer momento, podendo ser usados para um e outro sem prazo de validade. Agora, a conexão deve ser feita em no máximo duas horas após a compra do bilhete, ou seja, o passageiro não pode comprar vários bilhetes para evitar a fila.

O resultado é o que se vê nessa foto da estação Carioca às 18h30: o metrô deixou de ser uma opção prática para quem quer um transporte rápido e passou a ser útil apenas se for incluído na logística de transporte do passageiro. Portanto, caso esteja perto de um ponto de ônibus e do metrô, prefira o ônibus, a não ser que já tenha o bilhete comprado, que só tem validade de 48 horas, ou o cartão pré-pago.