terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Sobre eutanásia e ortotanásia

Sempre que há um caso desse tipo, levantam-se as polêmicas éticas, religiosas e jurídicas. Ontem morreu Eluana Englaro, uma italiana que estava há dezessete anos em estado vegetativo. Assim como a americana Terri Schiavo, ela teve sua hidratação e alimentação artificiais suspensas até que morresse. Levou apenas quatro dias, ao contrário da americana que ficou quatorze dias até morrer de inanição ou desitratação.

Deixando claro: sou a favor do direito de morrer. Às vezes o mais importante é terminar a vida de uma forma digna ao invés de prolongá-la indefinidamente com muito sofrimento até que todos os órgãos do corpo parem de funcionar. Mas por questões legais, a prática da eutanásia (ativa) jamais acontecerá. Resta a opção pela ortotanásia (eutanásia passiva), que pode infligir sofrimento àquele cuja família optou pela morte.

Não se sabe até que ponto uma pessoa em coma profundo sente, sofre ou percebe o que se passa a sua volta. Não é possível medir o sofrimento de uma pessoa que morre por inanição sem poder expressar sua dor. Seria a eutanásia um fim mais humano? Interromper de uma vez a vida no lugar de permitir que a pessoa tenha uma morte natural e possivelmente sofrida?

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Obama e a difícil tarefa de agradar o povo

O governo democrata de Obama começou e, como disse Lula, o novo presidente estadunidense tem um "pepinaço" nas mãos. Mas esse pepino, abacaxi ou qualquer fruta ou legume além das abobrinhas que seu colega brasileiro fala, pode estar muito além da questão econômica.

Seu pacote de medidas para a revitalização econômica não conseguiu consenso, mas acabou aprovado no congresso e tem boa chance no senado. A cláusula "Buy American", que define que o ferro e aço utilizados nas construções civis oriundas desse pacote devem ser produzidos nos Estados Unidos, fere os princípios do livre comércio e pode encontrar problemas na Organização Mundial do Comércio. É possível que as retaliações acabem levando prejuízo ao país.

Outro fator: a onda de xenofobia está aumentando ao ponto de um senador sugerir que a Microsoft demita primeiro os trabalhadores estrangeiros dentre os 5 mil que está planejando mandar para casa. Para um presidente que foi eleito prometendo aliviar a barra para os imigrantes, o problema é grande. O provável é que ele adie qualquer decisão a respeito do tema.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Jeitinho no trânsito

Algumas infrações já se tornaram coisa natural no trânsito do Rio de Janeiro. Em lugares específicos, bandalhas já são quase tradição, como nos retornos da Av. Atlântica no Leme, e em algumas calçadas parece até que é permitido estacionar, pois sempre se fez assim e nada foi feito para mudar isso.

Sinais de pedestre são um exemplo. São poucos os lugares em que esse tipo de sinal é respeitado. Na maioria das vezes, o motorista olha para os lados e, se der para avançar sem atropelar ninguém, ele segue em frente.

Nesse sinal, em Copacabana, o motorista não teve o menor pudor de estacionar sobre a faixa de pedestre. Afinal, era noite, não ia atrapalhar tanto, certo? Não sei qual é a fronteira em que o "jeitinho" começa a ficar perigoso, mas talvez seja hora de começarmos a pensar diferente caso desejemos mudar alguma coisa na cultura do cotidiano desse país.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Choque de sensacionalismo

O jornal O Globo devia estar mesmo desesperado porque o ex-prefeito Cesar Maia não anunciava em suas páginas. O antigo prefeito economizou um bom dinheiro deixando de investir em publicidade, mas também criou adversários fortes. Some-se isso a sua pouca popularidade e ele virou um prato cheio para os jornais.

Juntando o útil ao agradável, O Globo inventou um "choque de ordem", supostamente sendo realizado pelo novo prefeito, Eduardo Paes. Até agora, o que eu vejo é algo que já existiu, mas nunca surtiu o efeito esperado, como a Guarda Municipal, correndo atrás dos camelôs, que já têm sua barraquinha compactável montada para uma fuga emergencial quando o rapa chega.

Agora, quem sabe, começarão a surgir as propagandas da Prefeitura do Rio no jornal. Por enquanto, não senti nenhuma diferença nesse tal "choque". Os mendigos continuam ocupando as praças em Copacabana, os carros continuam sobre a calçada e os camelôs só correm quando a guarda passa, mas logo voltam a seu lugar, assim como os mendigos retirados.

As imagens abaixo foram tiradas por mim numa breve camihada em Copacabana agora há pouco.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Uma nota sobre a guerra de Israel

Existe muito sensacionalismo na imprensa brasileira – e mundial – sobre a guerra que explodiu entre Israel e o Hamas na faixa de Gaza. Concordo que é muito difícil para quem se informa apenas pelos jornais entender o real motivo da invasão e saber quem realmente tem razão nesse conflito.

Em 2005, a faixa de Gaza passou a ser praticamente um país independente. Os colonos judeus foram retirados à força pelo exército de Israel, que recuou para o lado israelense da fronteira. Então, o Hamas e o Fatah, do líder da Autoridade Naciona Palestina, entraram em guerra pelo controle da região. O Fatah, moderado, acabou levando a pior e o Hamas assumiu o poder.

Durante esse tempo, milhares de mísseis foram atirados a esmo contra a população civil de Israel, visando apenas a tirar vidas dos israelenses, considerados inimigos pelos radicais do Hamas. As baixas foram poucas porque lá todas as casas contêm bunkers para proteger a população. Já o Hamas esconde suas armas e seus pontos de lançamento entre a população civil, pois sua morte é um artifício para virar a opinião pública contra Israel. São verdadeiros escudos humanos.

Após muitos avisos, Israel revidou. Bombardeou os quartéis do Hamas matando muitos militantes, entre eles alguns líderes do grupo. Matou também alguns civis, a maioria próxima aos quartéis do Hamas. A população de Gaza continua a apoiar o Hamas apesar deles serem os responsáveis por toda a desgraça que recai sobre aquela terra. Já tiveram uma opção: poderiam ter se esforçado para que o Fatah controlasse a região, o que tornaria o diálogo com Israel muito mais fácil.

O Hamas tem escolas, centros de treinamento e outros estabelecimentos para criar soldados alimentados com ódio a Israel e a tudo o que o país representa. E são eles que Israel tenta destruir, ao contrário do que a imprensa tenta fazer entender. Não há massacre: a grande maioria dos mortos na guerra é de militantes do Hamas.

Para deixar bem claro: sou a favor da independência da Palestina, tanto na faixa de Gaza quanto na Cisjordânia. Se eles não existiam como povo, hoje possuem uma identidade e merecem uma nação. Mas um país que declara como propósito a destruição de outro dá a este direito de se defender. E é isso que Israel faz – desde 1948.

O vídeo abaixo mostra um pouquinho do que é o Hamas.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Ninguém é a favor do aborto

Não compreendam mal o título deste texto. É que eu acabo de ler uma matéria no Globo online contendo a seguinte frase sobre um filme patrocinado pela Fioruz: "Documentário é claramente a favor do aborto".

A imprensa faz isso com frequência: distorcer as informações que têm relação com o tema aborto. Vejamos no caso da Jandira Feghalli, uma conhecida ativista, por exemplo. Na reportagem do jornal O Globo do dia 18 de setembro, vemos a seguinte frase: "A candidata também negou que tenha defendido o aborto".

Para começar, essa é uma prática comum na imprensa: negar para afirmar. Para difamar um político, é só publicar: "Fulano nega ter desviado dinheiro". Sua imagem é destruída sem contar nenhuma mentira, bastando perguntar-lhe se ele desviou dinheiro. Em segundo lugar, eu ainda não conheci uma pessoa que fosse a favor do aborto.

A prática é violenta e traumatizante. Mas possivelmente é menos traumatizante do que abandonar um filho num orfanato ou, como acontece muito por aí, no lixo. É importante educar a população e fornecer métodos contraceptivos para evitar a gravidez indesejada, mas ela nunca vai deixar de acontecer por completo.

Dados do Instituto Alan Gutmacher informam que um milhão de abortos são realizados ilegalmente por ano no Brasil com centenas de mortes relacionadas a abortos feitos sem as condições necessárias. Portanto, é absolutamente necessário descriminar o aborto e é isso que os ativistas defendem, e não a prática do aborto em si. É uma questão de humanidade e de saúde pública.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Portugüês

Sou uma das poucas pessoas que está lamentando o fim do trema na reforma ortográfica que entra em vigor no dia 1 de janeiro. Aliás, não somente a queda do trema, mas diversas alterações nas regras de acentuação, hifenização e da própria ortografia em si.

A língua portuguesa é, até certo ponto, fonética. O trema existe para se indicar a pronúncia do u depois do q ou do g; verbos na terceira pessoa do plural no presente do indicativo também vão perder acentos que ajudam na pronúncia, como lêem ou vêem. Isso sem falar nos acentos diferenciais como em pára e pêlo, que também se vão.

Para mim, o grande problema é que não é fácil enxergar uma lógica nas novas regras. Por exemplo, algumas palavras vão perder o hífen e outras vão ganhar, mas as poucas que ficam como estão as exceções dessas regras: arquiinimigo vira arqui-inimigo, manda-chuva vira mandachuva, mas guarda-chuva permanece como está. Por quê? Não compreendi.

E se nós, brasileiros, estamos incomodados com nos tornarmos analfabetos da noite para o dia, imaginem como estão os portugueses. Enquanto a reforma mexe com 0,5% das palavras no Brasil, 1,6% dos vocábulos dos demais países lusófonos será alterado. Nós teremos que reaprender a escrever cerca de 550 palavras e eles, cerca de 1.760.

Agora pergunto: quem está feliz com isso? Por aqui, vou tentar me adequar às novas regras, mas peço perdão antecipado por possíveis deslizes. Afinal, realfabetizar-se leva algum tempo.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Paus e pedras

A frase virou chavão, mas a cada vez que é proferida, gera um certo calafrio naqueles que ouvem: "Eu não sei com que armas se lutará a Terceira Guerra Mundial, mas a Quarta será com paus e pedras". Albert Einstein tinha perfeita noção do potencial destrutivo do ser humano. Hoje, estamos na iminência de uma guerra de proporções catastróficas.

Depois dos ataques terroristas a Mumbai, a tensão entre Índia e Paquistão cresceu. Inimigos com motivações religiosas desde a ocupação inglesa, os dois países se separaram contra a vontade de Gahdhi em 1947 e de lá para cá já travaram quatro guerras, três concernindo à região da Caxemira, todas com armamento convencional. Entretanto, desde 1998, ambos os países passaram a ser considerados potências nucleares após testes realizados em seus respectivos territórios.

Se estourar mais uma guerra na região, qual é o limite da potência das armas que os países pretendem adotar? Se o Paquistão utilizar uma bomba atômica, como a Índia vai revidar? Que nações vão aderir e de que lado vão ficar? Diferentemente de soviéticos e estadunidenses, os princípios da doutrina MAD, pela qual nenhum lado ataca temendo a aniquilação total de ambos, não parecem prevalecer neste conflito, pois quando o fanatismo religioso está presente, nada parece segurar os homens.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Calotazo

Parece que dá muito trabalho ser um líder regional e tentar não impor sua política econômica aos países vizinhos. Alguns dizem que o Brasil pratica uma modalidade de imperialismo, mas não há aqui uma exploração descabida, como fazem os Estados Unidos com o México e outros países. Existe um movimento de integração regional com investimentos de infra-estrutura em diversos países que teriam muita dificuldade em se manter sem uma economia forte como a nossa os apoiando.

Dessa forma, o Brasil é um grande credor de seus vizinhos, que, quando precisam fazer grandes obras, muitas vezes financiam-nas com dinheiro do BNDES. Equador, Paraguai, Bolívia e Venezuela simplesmente decidiram que os contratos de endividamento foram abusivos e não querem mais pagar. Sinceramente, quero ver mais para frente, quando precisarem de crédito, para quem vão pedir. Até porque, qualquer coisa costuma ser melhor do que os juros do FMI.

O Brasil precisa endurecer o discurso, mas deve fazer de tal forma que não crie inimigos. Não queremos fazer como nossos vizinhos do Norte que derrubam governos e desviam seus recursos para seu próprio enriquecimento. Muito pelo contrário: não foi somente uma vez que impedimos golpes de estado por aqui pelo subcontinente.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Autobahn

Parece que tem gente que acha engraçado ter carros capotando na Lagoa e acidente de proporções como os que já vimos em vários pontos do Rio de Janeiro. A partir de ontem, todos os pardais do Rio de Janeiro deixaram de multar motoristas por excesso de velocidade e por cruzar o sinal vermelho entre as 22h e as 6h. A decisão foi feita com a desculpa de se aumentar a segurança dos motoristas, já que a criminalidade no trânsito é grande nesse horário.

Isso não é apenas um caso de insensatez: é um populismo perigoso, um oba-oba que dá a impressão de que os motoristas da night, muitas vezes já bêbados, podem fazer o que quiserem. Até porque a Lei Seca só pegou durante algum tempo, mas também já afrouxou.

Interromper as multas à noite pode diminuir o problema dos assaltos, mas cria outro, que é o dos acidentes. Não seria mais prudente aumentar os limites de velocidade para alguns trechos, principalmente nas lombadas eletrônicas? Não seria melhor deixar de multar quem atravessasse o sinal vermelho, desde que em baixa velocidade?