terça-feira, 15 de março de 2011

O consumidor e as redes sociais

Recentemente estive na Campus Party Brasil e segui constatando quanto a internet mudou a vida das pessoas. No que tange ao direito do consumidor, dois casos bem recentes dão o tom do poder que o cidadão comum ganhou. Agora, existe a real possibilidade de se lutar de igual para igual contra grandes empresas, simplesmente porque existe o canal e há pessoas dispostas a disseminar os casos via twitter ou mesmo por email.

No primeiro caso, Oswaldo Borelli levou sua geladeira à porta de casa e fez um vídeo explicando que ficou 90 dias sem geladeira porque a Brastemp não resolvia o defeito de fabricação. A empresa se desculpou publicamente e entregou um produto novo para o cliente. Mas agora pensarei duas vezes antes de comprar algo da marca.

No mais recente, a consumidora Daniely Argenton denunciou o descaso da Renault com seu Mégane comprado zero com defeitos de fabricação. Desde 2007 ela vem tentando consertar seu carro junto à montadora, que sempre o devolve com o mesmo defeito. Daniely entrou na justiça para ser ressarcida e criou um website explicando o caso, mas a Renault tirou o site do ar através da Justiça de Santa Catarina.

Um tiro no pé: a imprensa costuma tomar o lado do consumidor e seu caso ganhou repercussão devido à decisão da Justiça. A Brastemp foi mais inteligente e pediu desculpas.

O importante é que cada vez mais aprendemos a nos defender como consumidores, temos cada vez mais armas e precisamos saber usá-las para que a política das empresas mude e passe a nos respeitar de verdade, não somente em suas belas propagandas na televisão.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Democracia árabe?

As revoltas populares estão pipocando no mundo árabe como uma bola de pingue-pongue solta numa sala com ratoeiras com bolinhas iguais. A demanda por democracia nada mais é do que uma demanda por poder, essa que todos os povos têm, mas nem sempre têm a oportunidade de fazer valer, ou mesmo de expressá-la.

Tunísia e Egito derrubaram seus ditadores. Enquanto a Tunísia formou um governo de coalizão com os líderes de todos os partidos, o Egito está nas mãos dos militares que prometem devolver o poder ao povo em poucos meses enquanto insistem que a vida volte ao normal.

O que há de novo nisso tudo? Nada. Revoluções são constantes no mundo árabe, com trocas de ditadores, de doutrinas, de ideologias. Até o Irã, que não é árabe, mas sofre os mesmos tipos de abalo, já teve sua revolução, que criou a teocracia do Aiatolá Khomeini. Democracia é outra coisa.

O mundo árabe jamais conheceu um regime democrático. Quando a Faixa de Gaza ganhou autonomia, sua população elegeu, sabe-se lá em que bases, o Hamas para governar a região. Nada foi construído, mas os líderes da oposição, o Fatah, foram presos ou mortos e iniciou-se um ataque a Israel com chuvas diárias de foguetes sobre a sua população.

O Egito tem, em seu território, um grupo representativo chamado Irmãos Muçulmanos, ou Irmandade Muçulmana, como é conhecido em português. Hoje eles representam 20% do parlamento e seus métodos são conhecidos historicamente pela destruição e assassinatos – políticos ou não, pois qualquer estrangeiro ou não-muçulmano é considerado inimigo. É possível ter uma ideia do que vai acontecer caso esse grupo seja democraticamente eleito para representar o povo egípcio.

 
Portanto é preciso olhar com parcimônia para os desdobramentos dos acontecimentos na Tunísia e no Egito, que já refletem em outros países como Bahrein, Iêmen e, ainda de leve, no Irã. Afinal, um governo democrático não é aquele que representa a maioria, mas aquele no qual toda a população se faz representar.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Nike: o mau gosto habitual

Acabou de ser lançada a nova camisa da Seleção. Como por hábito, a Nike desrespeitou as tradições e inseriu uma barra horizontal na altura do diafragma dos jogadores. Para piorar, o uniforme reserva, que era azul, passou a ser aquele verde indefinido que os goleiros costumavam usar. Eles ainda tentaram empurrar uma camisa preta (!), mas a CBF vetou.


Não é a primeira vez que a Nike pisa na bola com a Seleção. Em 2002, criou um modelo com polígonos verdes poluindo a frente da camisa numa padronização ridícula de todas as seleções que patrocinava e, dois anos depois, levou o escudo para o centro da camisa e cercou o número dos jogadores com um círculo, inspirada, talvez, num jogo de bilhar (na verdade, dizem que foi nos carros da Porsche).


Assim que assinou seu fatídico contrato com o Flamengo, a fornecedora lançou um uniforme ridículo, com um escudo no lugar do tradicional CRF. Era quase um pleonasmo, já que a própria camisa representa o escudo do time com o CRF no canto. Uma ode ao mau gosto, interrompida pela volta de Márcio Braga.


Enfim, eu não esperava nada muito melhor de uma empresa que se julga maior do que os times e seleções que patrocina.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Por dinheiro

É impressão minha ou a Ferrari mudou seu logotipo para ficar parecido com o de seu patrocinador, proibido de exibir a marca nos carros e macacões?


A equipe já havia sido alertada para retirar o código de barras que ficava na lateral de seus monopostos por conter mensagem subliminar da marca de cigarro. Pelo visto, encontraram um jeito de agradar o patrocinador, com quem acabou de renovar contrato até 2013 como title sponsor, aquele que dá nome ao time: Scuderia Ferrari Marlboro. Permanece o único time patrocinado pela indústria tabagista.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Asfalto liso, bueiro fundo

A iniciativa merece aplauso, afinal nós cariocas estamos acostumados com trilhas de rali, não com pistas urbanas. Desde os tempos em que eu ia para Vila Valqueire para o ensaio da minha banda, eu tinha a sensação de estar numa pista de teste para os amortecedores do carro.

O que me incomoda neste tipo de medida é que, normalmente, é a única chance em anos de se corrigir um problema. Quando terminarem o trabalho, é nesse asfalto que vamos rodar pelos próximos cinco, oito anos. Então precisa ficar perfeito.

Mas como esse tipo de coisa é extremamente rara por aqui (quem já viu uma calçada com pedras portuguesas perfeitamente ajustadas ou de cimento sem remendos ou buracos?), os bueiros são tão fundos que podem causar um dano sério na suspensão dos carros ou mesmo furar um pneu.

O trabalho todo já deve ser muito caro e absolutamente necessário. Será que não era possível gastar um pouquinho a mais e nivelar os bueiros para ficar perfeito?

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Caldeirão

Fui enviado pelo meu trabalho para a Campus Party em São Paulo para recolher e compilar ideias sobre mídias sociais. Não tinha muita noção de como seria isso mas, pelo teor das palestras, vi que poderia ser muito interessante.

No primeiro dia, pude assistir a uma palestra/debate de Al Gore e Tim Berners-Lee, que falaram sobre a horizontalização do processo comunicacional que a internet proporcionou e da incapacidade dos governos e legislações de acompanharem as mudanças na velocidade da rede. Eles chamaram a atenção para a tentativa de grandes grupos de dominarem a internet e da necessidade de se mantê-la livre de controles e amarras. Claro, Gore não perdeu a oportunidade de chamar a atenção para a questão ambiental e como a internet pode ajudar a causa.

Vi André Forastieri falar muita besteira sobre imprensa e mídias digitais numa discussão sobre confiabilidade em redes sociais. Assisti também a dois debates políticos, um de Marina Silva, que eu continuo considerando uma pessoa incoerente com sua história embora a admire bastante, e outra dos coordenadores de mídias sociais das campanhas dos três principais candidatos à presidência ano passado. Uma delas, Soninha Francine, não se saiu muito bem ao meu ver, principalmente quando disse que o SBT inventou o episódio da bolinha de papel do Serra e a manada foi atrás. Falaram sobre liberdade de imprensa e contra a censura prévia imposta ao Estadão durante o caso Sarney, algo com que eu concordo.

Paulo Bernardo, Ministro das Comunicações, falou sobre as perspectivas da universalização da internet no Brasil com ideias que me pareceram deveras interessantes, embora eu não saiba se vão sair do papel.

Em torno disso tudo, milhares de pós-adolescentes acampados vendo e ouvindo tudo atentamente, analisando, participando, perguntando e, com certeza, pensando como carreiras estão ligadas ao futuro do país.

Quem tiver oportunidade de visitar a Campus Party ano que vem, deve aproveitá-la. Não sei se em algum outro lugar fervilham tantas ideias ao mesmo tempo.

Atualização em 21/1: Foram distribuídas máscaras com o rosto de Julian Assange em protesto contra a perseguição ao fundador do WikiLeaks.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Recuperada?

Há dois anos e meio escrevi um artigo sobre Amy Winehouse e seus, digamos assim, hábitos extravagantes. Eis que ontem fui surpreendido por uma cantora vigorosa, com uma voz forte e novas composições no show que fez no HSBC Arena, aqui no Rio.

Amy está razoavelmente recuperada da dependência das drogas, sabe-se lá por quanto tempo, mas fico feliz em ver que, ao que tudo indica, eu estava errado ao dizer que ela não duraria muito devido ao seu comportamento autodestrutivo.

Apesar de curto, o show foi ótimo. Como esperado, ela esqueceu a letra de uma música no começo e teve uma crise de riso que atrapalhou a primeira estrofe da canção. Mas o público, em vez de se irritar, foi ao delírio, pois essa é uma das marcas registradas da cantora.

Bem, enquanto aguardamos o terceiro disco aproveito para recomendar para quem tiver uma chance, assistir a seu show. Afinal, nunca se sabe.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Fórmula 1 e meio-ambiente

A Federação Internacional do Automóvel acenou para uma Fórmula 1 mais verde em 2013. Depois de desistir do uso de biocombustíveis misturados à gasolina devido à possibilidade de escassez de alimentos – um erro de julgamento –, a FIA aposta numa redução do consumo de combustível pelos motores.

Durante muito tempo, a categoria foi atacada por entidades como o Greenpeace por gerar uma quantidade excessiva de poluentes, considerando os testes, as corridas e, principalmente, as viagens e os deslocamentos. O que os ecologistas falham em considerar é que qualquer avanço tecnológico gerado nos carros de corrida é subsequentemente transmitido para os carros de passeio.

As novas regras dos motores devem garantir uma redução de 35% no consumo de combustível com possíveis motores turbo e sistemas de recuperação de energia cinética (kers). Se esse avanço na eficiência energética chegar à indústria automotiva, pode-se imaginar a diferença que isso vai fazer no meio-ambiente.

Às vezes falta a essas organizações distanciamento suficiente para ter a capacidade de se enxergar o quadro completo.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Ana/Mia

Esta semana foi divulgada a morte da modelo Isabelle Caro por anorexia nervosa. Já há algum tempo, eu recebi um vídeo e fui pesquisar sobre distúrbios alimentares. Descobri que pessoas com anorexia e bulimia não se consideram doentes, mas acham que têm um estilo de vida. Elas apelidam seus distúrbios como Ana (anorexia) e Mia (bulimia), personificam as doenças e as consideram suas melhores amigas.


Fiz uma pesquisa na internet pelos termos para descobrir a gravidade da situação. Encontrei inúmeros blogs através dos quais suas autoras, maioria de garotas adolescentes, dividem suas experiências, contam sua trajetória, demonstram sua insatisfação com seu corpo e, muito frequentemente, ensinam técnicas para passar dias sem comer.

Utilizam termos como LF (low food), para comer o mínimo possivel e coisas muito leves, ou NF (no food), um dia 0 cal. Mostram como enganar o estômago, o cérebro, os amigos, os pais. Ensinam a "miar" (vomitar) após sucumbirem a sua compulsão (comer?), tiram dúvidas das internautas e apoiam umas as outras.

Escrevo este texto como um alerta aos pais que têm filhas (principalmente, mas homens também podem sofrer disso) com idades entre dez e vinte anos que aparentam levar uma vida normal, mas que parecem preocupadas demais com seu corpo. Não se iludam, elas sabem como enganar todos a sua volta e contam com uma rede ilimitada para apoiá-las.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Compra coletiva

A febre da compra coletiva tomou conta da internet de tal forma que os sites com essa finalidade se multiplicaram em pouco tempo. Eu mesmo já devo ter feito algumas dezenas de compras em uns cinco ou seis sites diferentes.

Mas as promoções, às vezes não são tão boas quanto anunciadas. É aconselhável verificar se o preço original estampado na página é realmente o preço que se cobra no restaurante ou loja e se o produto é o mesmo que se vende para os outros consumidores. É muito comum, por exemplo, o prato ou a sobremesa servidos serem menores do que os originais.

Algumas promoções que envolvem viagem não deixam muito claro o preço final a ser pago, visto que o desconto costuma ser somente na entrada. É possível que o consumidor se confunda e acabe pagando muito mais do que planejava. E alguns sites criam muitos problemas para devolver o dinheiro caso o consumidor desista da conta. Neste caso, recomendo o uso do portal Reclame Aqui, ao qual normalmente as empresas respondem.

Outra coisa que me surpreendeu foi que hoje eu recebi um anúncio de uma tabacaria, vendendo charutos e café. Que eu saiba, a propaganda de tabaco é limitada e não está permitida em sites da internet, muito menos a sua venda. Acho até que não fizeram de má-fé: muita gente se esquece que charuto e cigarros estão submetidos à mesma legislação. De qualquer maneira, enviei um email para eles sugerindo que tirassem a promoção do ar para não correrem o risco de sofrer ações legais.

De qualquer forma, a inciciativa é ótima e pode gerar uma bela economia. Mas, como qualquer outra ferramenta, é necessário saber usar.