sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Uma nota sobre a guerra de Israel

Existe muito sensacionalismo na imprensa brasileira – e mundial – sobre a guerra que explodiu entre Israel e o Hamas na faixa de Gaza. Concordo que é muito difícil para quem se informa apenas pelos jornais entender o real motivo da invasão e saber quem realmente tem razão nesse conflito.

Em 2005, a faixa de Gaza passou a ser praticamente um país independente. Os colonos judeus foram retirados à força pelo exército de Israel, que recuou para o lado israelense da fronteira. Então, o Hamas e o Fatah, do líder da Autoridade Naciona Palestina, entraram em guerra pelo controle da região. O Fatah, moderado, acabou levando a pior e o Hamas assumiu o poder.

Durante esse tempo, milhares de mísseis foram atirados a esmo contra a população civil de Israel, visando apenas a tirar vidas dos israelenses, considerados inimigos pelos radicais do Hamas. As baixas foram poucas porque lá todas as casas contêm bunkers para proteger a população. Já o Hamas esconde suas armas e seus pontos de lançamento entre a população civil, pois sua morte é um artifício para virar a opinião pública contra Israel. São verdadeiros escudos humanos.

Após muitos avisos, Israel revidou. Bombardeou os quartéis do Hamas matando muitos militantes, entre eles alguns líderes do grupo. Matou também alguns civis, a maioria próxima aos quartéis do Hamas. A população de Gaza continua a apoiar o Hamas apesar deles serem os responsáveis por toda a desgraça que recai sobre aquela terra. Já tiveram uma opção: poderiam ter se esforçado para que o Fatah controlasse a região, o que tornaria o diálogo com Israel muito mais fácil.

O Hamas tem escolas, centros de treinamento e outros estabelecimentos para criar soldados alimentados com ódio a Israel e a tudo o que o país representa. E são eles que Israel tenta destruir, ao contrário do que a imprensa tenta fazer entender. Não há massacre: a grande maioria dos mortos na guerra é de militantes do Hamas.

Para deixar bem claro: sou a favor da independência da Palestina, tanto na faixa de Gaza quanto na Cisjordânia. Se eles não existiam como povo, hoje possuem uma identidade e merecem uma nação. Mas um país que declara como propósito a destruição de outro dá a este direito de se defender. E é isso que Israel faz – desde 1948.

O vídeo abaixo mostra um pouquinho do que é o Hamas.

18 comentários:

  1. Muito bem colocado, Flávio.

    A esquerda ideológica burra do Brasil presta apoio incondicional para os palestinos - inclusive para os terroristas.

    É só ver a patética nota oficial do PT, assinada pelo seu presidente Ricardo Berzoini, em que encerra com "...o PT reafirma, finalmente, seu integral apoio à causa palestina."

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  2. Primeiramente Saudações ao meu amigo Sabbagh.

    gosto de dar opiniões cronológicas.

    Se olharmos apenas para os eventos recentes de 10 anos para trás para mim está tudo correto. O Hamas e o Fatah terroristas que não respeitam acordos de paz.

    Se voltarmos há 60 anos com a criação do Estado de Israel e como ele foi criado (retirando palestinos de suas casas) a coisa começa a mudar de tom. Patrocinado pela ONU (Estados Unidos) e considerando a origem etinica dos milhonários dos Estados Unidos e como eles controlam boa parte do mundo (vale a pena citar o documentário zeit geist, principalmente o addendum) dá para entender a postura destes grupos, principalmente que não tem como fazer esta guerra que não seja pelo terrismo, principalmente pela diferença de respaldo econômico, ai sim seria suicídio.

    Se voltarmos à mais de 1000 anos, ai a discussão vira religiosa, ai não dá mais para prosseguir.

    Acho que minha opinião ainda tem um valor alto pois não tenho origem judaica nem mulçumana, aliás fui criado no cristianismo e sobre Jesus Cristo eu concordo com ambas as religiões acima. Não existe sentimentos (nem sapatos) envolvidos na minha opinião.

    "o mundo é um palco" - título de um capítulo do documentário Zeit Geist

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  3. Eu só gostaria que ambos os povos pudessem viver em paz. Esse clima de vingança eterna não leva a lugar nenhum. Espero que as novas gerações desses povos, saibam resolver as coisas de outra maneira, que não por armas e bombas. Abração.

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  4. Primeiras considerações a respeito de Hipocrisia bem Intensionada. São apenas idéias para questionamento.

    Sob o ponto de vista da lógica todos têm razão, portanto toda discussão é inutil.
    Existe uma situação de status quo há muito tempo. Romper esse status dá em conflito e, é sem fim até que todos os povos árabes se unam. Aí vem o Armagedom.

    Pedir ajuda humanitária para povos combatentes e, dar, ou, abrigar combatentes é pedir para manter o conflito por mais tempo.

    A questão é que toda Religião é um Sistema Organizado. Todo Sistema Organizado requer "espaço" e contribuintes para seu sustento. Por essa razão entra o componente político em todo Sistema Organizado.

    A política se caracteriza por líderes dirigindo uma massa humana que acredita em alguma coisa como verdade. Assim, todas as pessoas pensam e agem em função de crenças.

    Geralmente as crenças que, mantêm pessoas unidas para alguma finalidade, são crenças limitantes.

    Uma religião é um sistema organizado em função de crenças. Uma crença limitante que esteja associada à crença de raça, etnia, nacionalidade e, mais uma ideologia política de governo, torna uma massa humana sujeita às lideranças.

    Líderes sob qualquer título são humanos e, tem qualidades, defeitos e necessidades de humanos. Alimento, descanso, sexo, poder, jogo de sentimentos e emoções, se comunicar e as vezes prevalecer o direito de manter uma conta no extrangeiro para acumular uma reserva pro futuro como fazem alguns presidentes de democracia e ditadores.

    Enquanto isso, no mundo material sem hipocrisia, pouco valor dão à espiritualidade que, abrange ser creativo e construtivo, como qualidades divinas e, honesto, puro, limpo e bom como qualidades desejáveis em um humano. Os líderes na maioria dos governos são corruptos.

    Hamás, Taliban, Hezbollá, Judaísmo, são Sistemas Organizados. Todo Sistema Organizado é Árbitrário.
    Cristianismo (Cruzadas, Indulgências, Inquisições), Budismo, Induísmo, Islamismo, são Sistemas Organizados e são Arbitrários como demonstraram e continuam demonstrando em suas ações históricas associadas à política.

    Se realmente houvesse espiritualidade nesses sistemas, sem hipocrisia, o Mundo seria o Paraízo sem guerras que, hoje, são apenas um reflexo e continuação das ações anteriores já mencionadas.
    Fraternalmente, Dias

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  5. concordo plenamente com o texto. Os palestinos, por quatro vezes nesse seculo, estiveram muito perto de ter sua nação, mas eles não perdem uma boa oportunidade de perder uma boa oportunidade. E como dessa vez, novamente quebram um cessar-fogo para mostrar sua 'fúria' contra o estado israelense. E perante as pessoas que adoram se dizer de 'esquerda', sem nem ao menos saber o que que é isso(e olha que há muitas no Brasil), os palestinos ainda aparecem como coitadinhos que atacam um país apenas para se defender e em busca da liberdade. E o que esperar de Marco Aurelio Garcia e Berzoini, por exemplo? fraquissimos para os cargos que ocupam e sempre que têm a oportunidade mostram que não tem a menor condição de estudar um tema a fundo antes de fazer comunicados como se fossem a opinião de todo o brasil.

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  6. As razões do conflito histórico são complexas e o risco de cometer injustiças ao explorá-las em uma midia tão superficial é alto. Mesmo assim vou me arriscar também.

    Assim, em uma análise localizada e limitada, como todas são, o que preocupa nesse episódio é os verdadeiros fins (ocultos) justificarem os meios. Mantendo minha coerência de discurso, uma eleição não pode novamente justificar uma guerra. É uma total inversão de valores.

    Diante de tanta violência (bilateral), a discussão semântica Defesa/Massacre perde o sentido.

    O Hamas perdeu os objetivos de governar e desenvolver a própria nação. Nação sofrida e batalhadora. Se seus líderes cultivam o ódio, colherão ódio.

    Os líderes de Israel perderam a sensibilidade necessária para orgulhar uma etnia. Plantam força, colhem ódio. Têm mais responsabilidade, pois têm mais possibilidades. Obviamente envergonham todo o povo Judeu. Povo brilhante, que não esqueceria como é duro estar do lado mais fraco.

    De qualquer forma não vejo como não chamar de covardia a descrição que se segue, assinada pela ONU:

    "De acordo com várias testemunhas, em 4 de janeiro soldados israelenses a pé retiraram aproximadamente 110 palestinos para dentro de uma casa unirresidencial em Zeitun (metade das quais eram crianças), alertando-as para ficarem a portas fechadas", disse a ONU. "Vinte e quatro horas depois, as forças israelenses bombardearam a casa repetidamente, matando cerca de 30." (site do jornal Estadão).

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  7. Duas coisas diferentes: a guerra em si e a visão de quem está de fora. Eu tenho uma visão distorcida de quem ñ tem info suficiente - acho q ninguém tem, pq todos estão, de alguma forma, comprometidos com seus pps pré-conceitos e com a propaganda ideológica. Aliás, como diz um dos pps comentários do vídeo no YouTube, dois erros ñ fazem um acerto. Talvez a população se associe ao Hamas por medo ou por comodidade. O vídeo me fez lembrar a favela daqui. A visão de fora é bla bla bla whiskas sachet. Ou seja, exatamente o que o Napoleão ouve da dona quando vê o pacote de comida. Nada. Marco Aurélio Garcia, Berzoini, Samuel Pinheiro Guimarães e todos esses ideólogos, ícones e farsantes do PT são apenas isso. Muita alegoria de mão e pouco samba no pé. Quando conseguirem resolver a lutinha armada aqui no quintal de casa, dos traficantes de bosta, vão falar da guerra de gente grande dos outros.

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  8. Concordo com o texto do professor Dias sobre o objeto em questão, achei-o bem claro sobre a estrutura do evento.
    Bom, entre um Coffea arabica e outro, acompanho o noticiário através da Al Jazeera, que me pareceu a menos parcial em relação às outras agências de notícias.
    As políticas monoteístas influenciam a massa, que é movida pela dimensão imaginária, mantendo-a distante dos bastidores do evento. E não lembro se é por Carl Schmitt onde política é Teologia secularizada.

    Mudando de assunto; até que essa ZCAS amenizou um pouco o nosso verão, pena que trouxe os incômodos e tragédias das chuvas.

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  9. Que bom ler algo mais decente nestes ultimos dias! É uma pena que a imprensa mundial seja tao desastrosa/sensacionalista, e o povao só entende aquilo que nao dá trabalho de entender. Esquecem o motivo da criacao de Israel...
    E a diplomacia brasileira ainda quer dar pitaco em prol da paz, só que se esquecem que morre muuuito mais gente dentro do Brasil, sem guerra nenhuma declarada, do que na faixa de Gaza. Por que nao arrumar a casa primeiro, antes de tentar servir de exemplo?

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  10. Não poderia concordar mais. Pra entender um pouco melhor esse conflito, recomendo a leitura de um livro chamado Seis Dias de Guerra, de um escritor americano chamado Michael Oren. Muito bom! É impossível falar do conflito atual sem remeter a 1967.

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  11. Marcelo de Almeida Gomes10 de janeiro de 2009 17:16:00 BRST

    Israel desde sua criação é um despropósito absurdo, sempre contando com a benevolência da mídia guiada pelos EUA. Por favor, me poupe!

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  12. Falta tanta informação histórica nesse texto, existem tantas lacunas factuais, que ele torna-se parte da hipocrisia que ele tenta, supostamente, diferenciar-se.

    Além de linkar um texto francamente anti-palestinos, não diz palavra sobre quem violou definivitvamente o cessar fogo (os sionistas, em 4 de novembro, 8 mortos, após 4 meses sem um mísero Qassam), não faz nem um esforço pra entender que sendo um grupo de resistência à uma ocupação estrangeira numa área com densidade populacional mais que Bangladesh é INEVITÁVEL estar no meio de civis (que os apóiam), não leva em conta que qdo os acordos de Oslo foram assinados a OLP ainda tinha em seus estatutos a destruição de Israel e isso não impediu nem a negciação nem a assitura de acordos, não lembra que 10 dias antes de morrer o shiek Ahmed Yassim propôs uma "trégua de cem anos", não lembra que há menos de 3 anos *todos* os países árabes e as facções palestinas propuseram um plano para a paz (A PAZ !!! A PAZ !!!) e o reconhecimento de Israel e os sionistas nem tchuns. Ou seja, o texto só viu o lado sionista.

    E, desonestidade final (duvido que um doutor em jornalismo não se atente a esse fato se não for de maniera pensada), diz que a faixa de Gaza passou a ser praticamente um país independente". Ora, faça-me o favor !!! Isso é uma estultice tão grande que não dá pra comentar ...

    Nada de novo no front daqueles que, apesar de posarem de bonzinhos e equilibrados a partir de recursos retóricos batidos e de uma falsa "análise" que de análise, só tem o tio Freud como referência.

    Me desculpe a contundência Flávio, mas ao que parece, vc está bem alinhadinho aos que vc tenta se diferenciar ...

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  13. Muito "bonitinho" o texto, mas imaginemos que o MST invadisse sua residência e começasse a atirar em seus parentes... seria justo? Se por reação, você jogasse traques de massa nos "companheiros" e eles revidassem com granadas (talvez essa seja a diferença de armamento entre palestinos e judeus) seria justo?

    Juro que não estou preocupado com a justiça num ambiente tão cheio de contradições como o Oriente Médio, apenas acho que um discurso de defesa do mais forte, como o seu, é inútil.

    Mas viva a liberdade de expressão!

    A minha: o Estado de Israel é uma invasão, um estupro territorial, enfim... viva a Palestina!

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  14. Lí a materia e todos os comentarios,cheguei a seguinte conclusão::Tambem acho!!

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  15. Conversa fiada...

    Os donos da terra são os palestinos, que por acaso são descendentes dos judeus originais. Ponto.

    Os "israelenses" são, em sua grande maioria, um bando de convertidos europeus/eslavos, sem NENHUMA ascendência semita.

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  16. "Os "israelenses" são, em sua grande maioria, um bando de convertidos europeus/eslavos, sem NENHUMA ascendência semita."


    Assim disse o ignorante que não conhece nada de história, genética e de Israel atual.

    Mais da metade da população judaica de Israel é de judeus 'sefaradim'/'mizrahim' - ou seja, judeus orientais.

    Os 'palestinos' como povo ou etnia distinta não existem, são uma mistura de diversas populações muçulmanas que imigraram para aquela região (que depois do reino de Israel nunca mais foi um país). Parte dos chamados palestinos é sim parente genética dos judeus, mas outra parte é bem mais próxima dos árabes do golfo (Arábia Saudita) - que são estrangeiros naquela região - e não dos "árabes" do Levante, como sírios e libaneses.

    Judeus - inclusive os europeus (exceto por parte dos russos) - são genéticamente mais próximos de sirios e libaneses do que são de europeus ou de outros "árabes" como os egípcios. O único outro grupo judaico (além de parte dos russos) que é genéticamente mais parecida com não judeus que com judeus e árabes são os judeus etíopes.


    Pra quem diz que o texto que ele cita é "anti-palestino", basta lembrar que se pode ser anti-palestino e dizer a verdade. Consegue mostrar alguma inverdade? Não? Então não adianta criticar o texto e chamá-lo de parcial...

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  17. Sobre os palestinos:
    "hoje possuem uma identidade e merecem uma nação. "

    Pergunto:
    Que identidade? Qual é a diferença entre jordanianos e palestinos HOJE? Mais de 70% da população JORDANIANA hoje em dia é de "palestinos"...
    O dialeto é igual, a religião, a população, o território e até a bandeira também são.
    E o que eles fizeram para "merecer" um país ou serem considerados um povo diferente? Criaram uma indústria da morte e um país que só existe enquanto meio para destruir o inimigo. Me desculpe, mas isso não é o bastante pra exigir independência e direito a autodeterminação.

    Walid Shoebat, um ex-terrorista da OLP:
    “Why is it that on June 4th 1967 I was a Jordanian and overnight I became a Palestinian?”

    “We did not particularly mind Jordanian rule. The teaching of the destruction of Israel was a definite part of the curriculum, but we considered ourselves Jordanian until the Jews returned to Jerusalem. Then all of the sudden we were Palestinians - they removed the star from the Jordanian flag and all at once we had a Palestinian flag”

    “When I finally realized the lies and myths I was taught, it is my duty as a righteous person to speak out.”

    “As I lived in Palestine, everyone I knew could trace their heritage back to the original country their grandparents came from. Everyone knew their origin was not from the Canaanites, but ironically, this is the kind of stuff our education include. The fact is today's Palestinians are immigrants from the surrounding nations. I grew up well knowing the history and origins of today's Palestinians as being from Yemen, Saudi Arabia, Morocco, Christians from Greece, Muslim Sherkas from Russia, Muslims from Bosnia and the Jordanians next door. My grandfather, who was a dignatary in Bethlehem County, almost lost his life by Abdul Qader Al-Husseini (the leader of the Palestinian Revolution) after being accused of selling land to Jews. He used to tell us that his village "Beit Shahur" in Bethlehem County was empty before his father settled in the area with six other families...”

    -Walid Shoebat (وليد شويبات‎)-

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  18. Gostei das considerações. O povo palestino não pode ser confundido com seus governantes. Penso que seria até mais fácil para Israel administrar a fronteira com um país hostil do que manter o território ocupado enquanto pessoas passam fome em israel.

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