terça-feira, 13 de outubro de 2009

Não marque nada para segunda

Dia 30 de setembro, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei transfere quase todos os feriados para segunda-feira, mesmo os que caem às sextas. Essa prática já foi adotada no Rio de Janeiro pelo prefeito Marcello Alencar e prejudicou imensamente a sua população, tanto que foi abortada.

É verdade que um feriado no meio da semana atrapalha o comércio, mas com todos os feriados marcados para as segundas, é impossível para um profissional liberal, seja um professor ou um psicanalista, atender nesse dia, já que ninguém vai querer perder tantas sessões ou aulas. Os cursos podem esquecer o início da semana e abrir somente na terça-feira, pois as aulas de segunda estarão comprometidas.

Esse problema se estende às faculdades. Num semestre cheio de feriados, como o atual, as disciplinas da segunda-feira ficarão extremamente prejudicadas.

Será que os deputados pensaram nisso antes de aprovar essa lei absurda?

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

O que fazer com Polanski?

Ele é um dos maiores gênios do cinema de seu tempo, disso não há dúvida. De "Repulsion" até "O Pianista", passando por "O bebê de Rosemary", Roman Polanski coleciona clássicos, ganhou um Oscar e um Globo de Ouro e ainda tem muito trabalho para fazer.

Mas em 1977, dopou e estuprou uma adolescente de 13 anos durante uma sessão de fotos nos Estados Unidos. Ela sequer estava acordada para se defender ou dizer não para o diretor. Trinta e dois anos depois, finalmente conseguiram pegá-lo num país com acordo de extradição.

Estupro, assim como assassinato, é um crime hediondo e, por isso, não prescreve nos EUA. Nem deve. Nós, fãs do cinema, podemos lamentar sua prisão como uma perda para a cultura, mas como seres pensantes, não podemos achar que o caso deva ser simplesmente esquecido.

A própria vítima do estupro já pediu para que a acusação fosse retirada, pois não aguentava mais a exposição, mas a Justiça dos EUA disse que Polanski precisa se entregar e solicitar a anulação do caso.

Não sei dizer o que seria correto nesse caso, mas, mesmo trinta anos depois, um crime dessa natureza não pode ser simplesmente deixado de lado.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

E o que o Brasil tem com isso?

O pepino é maior do que o Brasil previa. Montagem: Flávio S. ArmonyAté agora não entendi qual foi a estratégia do Brasil ao receber o ex-presidente de Honduras Manuel Zelaya em sua embaixada no país. Esse não é o tipo de conflito em que nosso país costuma se meter, ainda mais quando parece não entender exatamente o que está se passando.

Zelaya foi eleito democraticamente para o cargo, mas excedeu sua autoridade quando convocou um plebiscito para a formação de uma Assembleia Nacional Constituinte. Seu objetivo era reformar a Constituição do país de forma a permitir sua reeleição. Entretanto, o artigo 239, cláusula pétrea da Constituição hondurenha, proíbe a reeleição presidencial e prevê que aquele que tentar alterá-lo deve ser destituído imediatamente do cargo e perder a qualidade de cidadão, assim como os que o apoiarem.

A Corte Suprema do país ordenou a destituição de seu presidente e deixou a cargo das Forças Armadas a execução da ordem. O problema é que os exércitos latino-americanos são dados a truculências e, em vez de dar voz de prisão ou deixá-lo em prisão domiciliar, preferiu encapuzar e largar o ex-presidente na Costa Rica.

Agora Zelaya está de volta ao país e, por causa da diplomacia brasileira – normalmente tão eficiente –, surge uma nova crise: o que fazer com ele? Não dá para enviá-lo novamente para a Costa Rica. Soltá-lo em território hondurenho é um risco muito grande a sua vida. Talvez a saída seja uma negociação para, quem sabe, deixá-lo em prisão domiciliar. Aí eu pergunto: não seria melhor viver exilado na Costa Rica?

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Bingos: legalizando o crime organizado

Mais uma vez a Câmara dos Deputados demonstra estar indo na contramão do bom senso. Sua Comissão de Constituição e Justiça aprovou a legalização dos bingos e dos caça-níqueis sob a alegação de José Genoíno (PT-SP) de que "o jogo é da natureza humana". Pode ser, mas tenho dificuldade em enxergar o bem que uma medida como essa pode fazer pela sociedade.

Não somente porque conheço algumas histórias sobre pessoas que perderam tudo em máquinas de caça-níqueis, que são programadas para não deixar o jogador vencer e não têm como ser fiscalizadas nesse sentido, afinal sempre pode-se alegar que "joga quem quer".

O Ministério Púbilco já havia denunciado a ligação entre o bingo e o crime organizado. Montagem: Flávio S. ArmonyO grande problema é que bingos podem funcionar como grandes lavanderias de dinheiro ilegal, já que não precisam comprovar a fonte de seus ganhos, podendo justificar tudo como apostas de seus clientes. Assim, fica fácil para traficantes e políticos corruptos fazerem uso de seus recursos e provavelmente até pagarão impostos sobre eles.

Mas os governistas só querem saber do imposto que isso vai gerar. Afinal, quando o dinheiro entra, ninguém quer saber de onde ele vem. Resta agora torcer por um pouco de lucidez da Câmara e do Senado na votação do Projeto, o que parece cada vez mais difícil.

domingo, 30 de agosto de 2009

Made in China II

Sei que é um assunto batido, mas a cada vez que vejo algo assim, sinto-me no dever de alertar quem eu puder. Ontem, nas Lojas Americanas, deparei-me com um pacote de escova dental chamado Dental Clear numa embalagem bem vagabunda no esquema "leve 3, pague 2". Evidentemente, o produto era fabricado na China.

Não bastasse ser uma escova genérica, parecia ser de péssima qualidade, além de não ser recomendada pela Associação Brasileira de Odontologia. Isso representa um perigo, pois a composição e o grau de rigidez das cerdas pode prejudicar a gengiva e o esmalte dos dentes.

Isso já seria motivo suficiente para não se comprar a escova. Mas, para piorar, algumas embalagens vinham com o produto encardido! Em que condições essas escovas são produzidas e embaladas? Qual é a origem do material usado? Até porque, descobriu-se que muitos elásticos de cabelo fabricados naquele país são produzidos a partir de camisinhas usadas num esforço para aproveitamento total e acabam custando muito barato. Será que são estes que chegam nos camelôs brasileiros?

Bem, resolvi comparar com uma escova muito parecida, a Colgate Extra Clean, que tem o mesmo limpador de línguas e um formato praticamente idêntico. Pela foto, dá para notar que é uma cópia cuspida (com o perdão do trocadilho), a não ser pela disposição das cerdas, que é ligeiramente diferente.

Aliviado por ter um produto de qualidade em casa em vez de um genérico suspeito, qual foi a minha surpresa quando vi a etiqueta: o produto também é produzido na China. E agora?

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Carros a Diesel: na contramão da História

Esta semana, recebi um boletim do Senador Gerson Camata informando sobre o Projeto de Lei Substitutivo 656/07 que propõe a liberação da fabricação de carros de passeio com capacidade de carga até mil quilogramas movidos a Diesel. O senador alega que é uma forma de dar acesso a combustíveis mais baratos para a população, que hoje conta com carros a álcool, gasolina e GNV.

Entretanto, existem bons motivos pelos quais isso nunca foi permitido no Brasil. Primeiramente, o nível de poluição do Diesel é alto devido ao teor de enxofre que está contido no combustível. Mesmo com a diminuição dessa concentração para 50 ppm ou 10 ppm nos próximos anos, é um combustível barato que acabaria substituindo o uso do álcool, que é pouco poluente, pois todo o gás carbônico que joga no ar é capturado pela cana-de-açúcar em estágio de crescimento.

Em segundo lugar, ainda existe subsídio do Diesel no Brasil, pois ele é utilizado para fins comerciais (ônibus, caminhões de carga). Caso o combustível possa empurrar carros de passeio, sofreremos uma dessas consequências: ou o subsídio persiste e os novos motoristas abandonarão os carros flex, a álcool e a GNV e o nível de poluição aumentaria consideravelmente, principalmente nos centros urbanos; ou o subsídio acaba e todos os preços de transporte sobem, gerando uma inflação inicial grande em praticamente todo tipo de produto no Brasil.

Existem outras soluções para diminuir o preço dos combustíveis. Uma delas é a diminuição dos impostos, que hoje elevam o preço da gasolina em quase 80%. Mas aí nos depararíamos com outra questão: realmente precisamos de mais carros na rua? Ou é melhor investir em transporte público de qualidade?

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Que situação, Lula!

O Presidente da República encontra-se, hoje, numa situação muito delicada e desagradável: a necessidade de apoiar o presidente do Senado para manter o apoio do PMDB.

Lula encotra, talvez, o momento mais crítico de sua segunda administração, passados os escândalos que envolveram seu primeiro mandato. José Sarney, o ex-presidente que entrou para a história como a administração mais catastrófica da Nova República deixando uma inflação anual de quase 1.800% e um déficit crescente, parece ter perdido uma grande oportunidade para limpar, ou pelo menos melhorar, sua imagem perante a memória do Brasil.

Se houvesse extinguido as diretorias como prometera, se houvesse enxugado os gastos do Senado... enfim, se ele não fosse José Sarney. Mas o vício é uma praga e as práticas ilícitas e mesquinhas já estão tão arraigadas no sangue do Barão do Maranhão que ele não sabe ser diferente. Não sabe e não quer.

Enquanto isso, Lula fica se humilhando, dando entrevistas constrangedoras, defendendo bandidos com pesos e medidas diferentes porque teme o PMDB. Sem seu apoio, o governo não aprova nada no Congresso. Sem seu apoio, Dilma perde muita força na corrida presidencial de 2010.

A questão é: será que vale todo esse desgaste? Porque por aqui, nós já estamos cansados.

terça-feira, 21 de julho de 2009

F2: a lição não aprendida

Ontem um acidente matou um jovem piloto na Fórmula 2, categoria recriada este ano para servir como feeder da Fórmula 1. Henry Surtees, de 18 anos, era filho do multicampeão John Surtees e sofreu um traumatismo craniano quando uma roda soltou-se de outro carro e atingiu seu capacete.

Parece que a FIA não levou para suas categorias de base uma lição aprendida a um custo muito alto, que foi a morte de Ayrton Senna. Foi necessário que o tricampeão brasileiro morresse para que algumas medidas de segurança fossem tomadas para proteger os pilotos.

Uma delas teria salvado Senna: a obrigatoriedade de cabos de aço prendendo as rodas ao carro mesmo após a quebra da suspensão. Como se pode ver no vídeo abaixo, parece que na F2 essas correntes não servem para nada. Note-se que tanto a roda do carro de Jack Clarke quanto a de Surtees se desprendem do carro. Faltou controle de qualidade?

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Ford Pinto com asas

Alguém se lembra do Ford Pinto? Parece que ganhou asas e mudou de forma, mas ele ainda existe. Explico: o Ford Pinto era um carro que entrava em combustão facilmente devido a sua arquitetura, que permitia, no caso de uma colisão frontal a 40km/h, que o combustível vazasse sobre o diferencial, causando ignição e, frequentemente, matando todos os seus ocupantes. Para a Ford, indenizar suas vítimas em vez de fazer um recall de todas as unidades representaria uma economia de mais de US$ 80 milhões

Hoje, a Airbus é uma das maiores fabricantes de avião do planeta, rivalizando em vendas com a Boeing. Entretanto, o índice de acidentes com suas aeronaves é bem mais visível do que o de seu concorrente.

Não faltam análises para identificar as causas, que parecem estar em desde a arquitetura dos aviões até problemas de controle com o piloto automático. No acidente com o voo 447 da Air France, a causa mais provável é uma falha no sensor de velocidade, que teria permitido que o avião voasse a uma velocidade acima daquela que sua estrutura suporta. O acidente em Guarulhos com o voo da TAM número 3054 foi causado, em parte, por um problema de software, que acelerou o avião no momento de seu pouso. O voo 72 da companhia australiana Qantas fez um pouso de emergência e deixou 112 feridos, alguns em estado grave, por falha no piloto automático.

Esse conjunto de "fatalidades" não pode ser coincidência. Parece que também é mais fácil lidar com perdas humanas do que reprogramar a aeronave para a multinacional francesa.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

A imprensa e o gigante

O jornalismo brasileiro, fato, nada tem de imparcial ou objetivo. Não faltam provas em relação a isso, seja no meio acadêmico, seja na própria imprensa. Basta ler o Observatório da Imprensa, do Alberto Dines, ou reportagens de Mino Carta para constatar que mesmo os jornalistas têm essa noção.

Diante disso, a ordem do dia era bater na Petrobras. Aproveitando o clima da CPI, era possível enfraquecer o governo atacando um de seus pilares, a maior fonte de capital do país. Como de costume, os jornalistas enviavam perguntas à assessoria de imprensa da empresa e, com as respostas, preparavam suas matérias como se fossem furos de reportagem. Frases eram tiradas de contexto, dados eram publicados de forma incompleta para dar a sensação de incompetência e inoperância da empresa.

A máscara caiu: a petrolífera resolveu criar seu blog, chamado Petrobras - Fatos e Dados, através do qual publica todas as perguntas e respostas feitas por jornalistas para mostrar ao público a fonte crua das informações da imprensa. Resultado: uma grande discrepância entre as respostas e as reportagens.

A grita da imprensa foi geral, dizendo que a atitude feria o princípio da confidencialidade. O argumento fere a inteligência até dos mais limitados, pois a todos os dados divulgados são públicos e as perguntas, uma vez feitas, não pertencem a ninguém.

Blog da Petrobras - Fatos e Dados
Essa é uma atitude sagaz da Petrobras, que desarmou a imprensa simplesmente dando o outro lado das matérias, provando mais uma vez sua falta de imparcialidade. Mas não há guerra declarada, apenas uma grande empresa que tem seus meios para se defender.